quinta-feira, 31 de março de 2016

4090) Os 50 idiotas (1.4.2016)



As tribos antigas tinham uma coisa chamada de Conselho dos Anciãos, a quem cabia deliberar sobre as questões mais graves do interesse de todos.  Os anciãos eram os sujeitos mais velhos, mais experientes, mais cheios de recursos.  Era provável que alguns já tivessem enfrentado situações semelhantes.  Tinham – no dizer de Camões – um “saber só de experiências feito”.  O engraçado é que hoje em dia, para coisas como filmes, programas de TV ou campanhas publicitárias, não temos Conselhos de Anciãos, temos o Conselho dos Idiotas.

Os cinqüenta idiotas (era assim que Raymond Chandler os chamava) são aqueles indivíduos que os estúdios de Hollywood arregimentam para uma sessão exclusiva do filme que está quase pronto, e que as agências de publicidade contratam para examinar seus projetos. Eles exprimem a opinião média da população. São pessoas meio que pegadas na rua – o cara que vende hot-dog, o office-boy, a recepcionista, umas donas-de-casa, uns pais-de-família...   Gente sem muita informação sobre os aspectos técnicos e ideológicos de uma arte, qualquer arte. Gente que representa um segmento importantíssimo do mercado: a Maioria.