segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

4063) O Cerco de Anathemburg (1.3.2016)



(Ilustração: Shaun Tan)

Ouves, Hermengarda?  Estão roendo as muralhas. Alcatéias de castores famintos sofreados por rédeas de nylon não-degradável. Em breve abrirão buracos para a bala envenenada, a flecha radioativa. Vamos, vocês todas, peguem esses sacos plásticos, guardem os jogos de xadrez, as granadas de estimação, os celulares encriptados, as lingeries luminosas. Miróscala, recolha os véus de musselina, tecle red-alerta, destrave os alçapões, afivele o capacete. Chamem o vizir, chamem meu cardeal, meus generais, meu síndico, chamem o chefe da segurança. O chão treme como se fosse feito de água.  Não devemos ficar aqui.  Corro aos armários: Aqualung? Escafandro estratosférico? Veste de látex?  Armadura?  Colete à prova de lança-chamas?  Todo excesso de opções imobiliza, e ainda nem sei o nível tecnológico ou o viés ideológico dos predadores.  Uma explosão abre um rombo na parede e me tira do dilema.  Saltamos no elevador privativo, Úrsula aperta um botão qualquer, j