sábado, 12 de dezembro de 2015

3996) O eu lírico (13.12.2015)




(ilustração: Mana Neyestani)


Existe uma discussão em curso, Brasil afora, sobre as pessoas de origem humilde que conseguem cursar uma universidade, mesmo sendo o que se chama de analfabetos funcionais. Sabem ler, sim. Mas aprenderam apenas a tarefa mecânica de identificar palavras. Não sabem o que aquilo quer dizer. Podem, se estimuladas, dar uma definição passável de cada uma daquelas palavras que rabiscam. Mas se alguém lhes perguntar o que significa um mero parágrafo de jornal sobre assunto que não dominam, terão balbuciantes dificuldades. Diante de um parágrafo da literatura ou da ensaística, naufragarão.

Isso é uma vergonha? De jeito nenhum. É apenas uma erro de programação (ou uma programação propositalmente defeituosa, dirão os mais paranóicos). Nossa civil