quinta-feira, 3 de setembro de 2015

3910) A cor de Lovecraft (4.9.2015)




(ilustração: Virgil Finlay)


Traduzi há pouco tempo, para uma antologia a sair pela Editora Poetisa (Santa Catarina) o conto “The Color Out of Space”, de H. P. Lovecraft.  Os meus contos favoritos dele são “O Chamado de Cthulhu” e “The Shadow Out of Time”, que me produziram os impactos iniciais, aqueles contos em que pela primeira vez entramos em contato com o universo e a imaginação de um autor. Mas “A Cor que Caiu do Espaço”, destrinchada linha por linha, é uma história que reúne “espíritos” de diferentes gêneros. Tem algo dos “tall tales” rurais, as histórias dos matutos a respeito de acontecimentos insólitos em seu interiorzinho pacato. Tem algo dos contos de FC que descrevem a chegada à Terra de alguma presença maligna. Tem algo dos contos góticos sobre uma sucessão de mortes inexplicáveis concentradas num grupo de pessoas, ou num local.  Tem algo daqueles contos cruéis em que coisas ruins acontecem a pessoas boas, e a única justificativa para isso é que o Universo nos vê com indiferença, ou, melhor dito, não nos vê.