sexta-feira, 3 de julho de 2015

3857) As formas do conto (4.7.2015)



(ilustração: José Paulo, 1990)


Muitas tentativas de definir o gênero “conto” partem de um pressuposto errado, o de que o conto tem uma única forma, uma natureza que pode ser resumida numa única fórmula. Mas o conto não tem um desenho formal obrigatório como têm certas formas fixas da poesia, tipo o soneto. Qualquer poema de 14 linhas divididas em dois grupos de quatro e dois grupos de três, com o mesmo número de sílabas em cada linha, pode ser chamado de soneto ( de modelo italiano, no caso), independente do idioma, do assunto, da cadência rítmica, etc. O conto, no entanto, não tem essa nitidez de design. É uma nuvem indistinta de possibilidades. E cada um joga em cima dele a definição que lhe convém.