terça-feira, 2 de junho de 2015

3830) Naquele tempo (3.6.2015)



(Ilustração: Peter Sis)

Naquele tempo, não havia roletas nos ônibus, e o cobrador vinha de banco em banco cobrando a passagem e entregando um ticket minúsculo que ele destacava de um talãozinho. Quando o ônibus estava cheio ele tinha que vir se espremendo entre as pessoas que estavam em pé, cobrando de cada uma.

Naquele tempo, coava-se o café com um coador de cabo de madeira com um círculo de metal que segurava um saco de pano. Depois, jogava-se o pó no lixo e lavava-se o saco de pano, que levava anos para ser trocado (dizia-se que “encorpava o gosto”).

Naquele tempo, se um homem e uma mulher se hospedavam juntos num hotel era preciso apresentar a certidão de casamento.

Naquele tempo, quem comprava um ingresso de cinema podia ver o filme quantas vezes quisesse, bastava não sair da sala de projeção.

Naquele tempo, as passagens aéreas eram no formato de um talão de cheque, com umas 8 ou 10 folhinhas impressas. Depois de emitida, quando se queria mudar a data era pr