sábado, 18 de abril de 2015

3792) Os Super-Heróis (19.4.2015)



Um super-herói, como os dos quadrinhos e do cinema, é como um ser humano comum refletindo-se nos espelhos deformados dos parques de diversões. O herói pertence a um mundo elástico onde certos detalhes podem ser hipertrofiados enquanto o restante tenta permanecer o mais normal possível. Todos os Super-Heróis têm uma ferida dolorosa em sua origem: um ficou cego, outro foi picado por uma aranha, outro perdeu os pais, outro perdeu os pais e o planeta. Os Vilões também não são vilões de nascença, cada um deles traz também uma ferida como momento de origem: um disparo, um acidente, um banho de ácido, a perda de uma pessoa amada, a perda de uma parte do corpo, uma traição sofrida... tudo isto também é o estofo de que os Vilões são feitos.

Os X-Men são mutantes sobre os quais caiu como um raio um superpoder aleatório, sem muita explicação. Por serem diferentes são cercados, por terem um poder são capazes de revidar. Alguns mutantes desenvolvem o superpoder mas não a capacidade de administrá-lo, o que os leva a praticar violências, crimes, ou então servirem como atrações ou fenômenos circenses.  Indivíduos realmente capazes de ler pensamentos passam a vida inteira enfrentando platéias broncas, acertando a leitura, e sendo vaiados como truque. Outros são mais espertos: Os Filhos do Átomo (1953) de Wilmar H. Shiras (há uma tradução brasileira, de 1969) mostra crianças