quinta-feira, 16 de abril de 2015

3790) Eduardo Galeano (17.4.2015)



A morte de um grande escritor, como a de qualquer pessoa muito conhecida, enche a imprensa de maledicências e benedicências. Sempre tem alguém que aproveita o silêncio definitivo do outro para chamá-lo de imbecil ou de santo. Eduardo Galeano foi um grande escritor que, por ser de esquerda, jamais será lido pela metade da humanidade cuja religião política lhe assevera que o esquerdismo é tão contagioso quando o homossexualismo ou o alcoolismo: basta chegar perto daquilo e o “caba” já está contaminado pro resto da vida.

Alguns obituários destacam o fato de que Galeano teria “renegado” seu livro mais famoso, As Veias Abertas da América Latina (1971), talvez a maior denúncia da exploração do nosso continente pelos variados colonialismos. Galeano publicou esse livro extraordinário aos 31 anos, embebido daquele entusiasmo salvacionista que nos ajuda a enfrentar as desilusões da juventude. Queixou-se, depois de velho, da prosa tediosa, dos seus poucos conhecimentos de economia política na época. Seu livro cede com frequência a