sábado, 5 de julho de 2014

3543) Como ser realista (5.7.2014)



(Philip K. Dick)

Uma vez eu estava num ambiente só de norte-americanos, cercado de amigos que discutiam com veemência algum item da cultura-de-massas deles, algum troço que nem eu, o sujeito mais americanizado da minha geração, tinha ouvido falar.  Era como um norueguês em Campina Grande ouvindo a gente recordar trechos do “Forró de Zé Lagoa”.  E tive uma sensação repentina de que aquilo ali (era um programa de TV qualquer dos anos 1960, que nunca deve ter chegado no Brasil) era extremamente real para eles, fazia parte do mundo, e qualquer explicação do mundo teria que ser capaz de explicar também aquilo, de maneira tão natural quanto um de nós explicando a existência do “Forró de Zé Lagoa”.

Realismo, para uns, é isso: um realismo científico, porque se uma experiência científica produzir dez resultados diferentes, a teoria certa é a que explica de maneira cabal a todos. (Isso não impede nenhuma das teorias científicas vigentes de ter catálogos inteiros de coisas que tentaram explicar e não conseguiram.)