sexta-feira, 13 de junho de 2014

3524) Números literários (13.6.2014)



Existem números literários, assim como existem números circenses ou números musicais.  Um conjunto de elementos organizados de maneira bem específica e que devem ser reconstituídos, refeitos, diante de uma platéia de conhecedores.  Um pouco como a execução de música mediante partitura.  A perseguição à diligência é um número do cinema de faroeste: havia técnicos especializados nela, etc.  A reunião dos suspeitos diante dos quais o detetive rememora as pistas do caso e acusa o criminoso é um número da literatura policial.  A torta-na-cara é um número dos palhaços, o trevo-de-Brasília (ou sei lá que nome lhe dão) é um número da Esquadrilha da Fumaça, e a briga-mortal-à-beira-do-abismo é um número cinematográfico obrigatório em mais gêneros do que me atrevo a enumerar.

O número é tipicamente um efeito literário que não apenas já foi feito antes, mas é tão conhecido que acaba se tornando um desafio técnico. Como certos números musicais que requerem perícia de execução do instrumentista, ou saltos acrobáticos e complexos no skate ou na prancha de surfe.  Isso se torna i