quinta-feira, 29 de maio de 2014

3511) Meu Godzilla (29.5.2014)



A primeira imagem da minha adaptação cinematográfica do mito de Godzilla já mostra as profundezas do plâncton no fundo do oceano, no fundo daquele canyon submarino, aquela camada pastosa com centenas de metros de espessura, que há muitos milênios se deposita e sedimenta no fundo do Atlântico, encorpando ali uma sopa-primordial pastosa e fecunda, de onde certamente não foi nenhuma improbabilidade biológica que brotasse um dinossauro gigante, espécie possibilíssima de emergir nessas condições, visto que durante eras geológicas inteiras eles tiveram seus restos mortais e seu DNA varridos para baixo da superfície do mar, que é o tapete embaixo do qual a natureza esconde os seus próprios malfeitos.

Os primeiros cinquenta minutos do filme acompanham sem texto, só com imagens e ruídos, os milhões de anos de lento processamento eletroquímico, combinações genéticas sempre instáveis mas que um belo dia se estabilizaram em forma de um embrião enrodilhado, no interior de um ovo transparente, aquecido pelas correntezas vulcânicas que se infiltram por entre as placas tectônicas do continente. Durante os próximos