quarta-feira, 16 de abril de 2014

3474) O erro poético (16.4.2014)



O erro pode ser fonte de criação e de fagulha poética. Até mesmo o erro produzido por ignorância ou desinformação.  João Saldanha contou numa crônica a discussão que viu num ônibus entre dois sujeitos e um deles afirmava com veemência: “Você é um indivíduo sem crepúsculo!”.  Se eu ouvisse isso, ficaria maravilhado com a finura de percepção poética do litigante. Um indivíduo que não tem crepúsculo é decerto um indivíduo que não conhece sutilezas, transições... Uma beleza, se bem que Saldanha adverte que o cara na verdade quis dizer “sem escrúpulos”.  Não muito diferente do locutor de uma rádio de Campina que escutei, após a conquista de um título pelo Treze, berrar entusiasmado ao microfone: “A torcida do Galo está comemorando enfurecida!”