sábado, 8 de junho de 2013

3207) Traduzindo Bovary (8.6.2013)




Por que motivo uma obra literária tem que ser traduzida cinco, dez, vinte vezes? A explicação mais à mão é que as traduções anteriores não ficaram boas, e é preciso superá-las, fazer algo melhor. Esse “melhor”, contudo, nunca é unânime. Um livro tido como intraduzível como o Ulisses de Joyce já tem três traduções brasileiras, as de Antonio Houaiss, Bernardina Pinheiro e Caetano Galindo. Cada uma é uma maneira diferente de contar a mesma história.  As anteriores não são boas? Por que não? São apenas maneiras diferentes de dizer. Há leitores, inclusive, para quem o capítulo “X” ficou melhor na tradução de Fulano e o “Y” na de Sicrano. Questão de afinidade com certos estilos, certas propostas linguísticas.

Li uma matéria (http://nym.ag/d20hEK) sobre numa recente tradução em inglês de Madame Bovary, feita por Lydia Davis, que já traduzira Proust (Du coté chez Swann). Flaubert era um perfeccionista neurótico, obsessivo. É lícito imaginar que se ele folheasse qualquer tradução de um livro seu cairia ciscando. Para que traduzir um autor assim? Ca