sábado, 25 de maio de 2013

3195) O nome da cidade (25.5.2013)



(Bombaim)


Volta e meia estão mudando o nome de alguma coisa. Nomear é tomar posse, dizem as doutrinas cabalísticas. Então, existe um frenesi constante, por parte de quaisquer poderes, para dar um novo nome a algo que já existia. Quando a Revolução Francesa triunfou, mudou os nomes dos meses do ano, que passaram a se chamar: Brumário, Floreal, Germinal, Termidor... A população ficou atarantada com isso, e os legisladores danaram-se a promulgar o que bem entendiam.

Na Paraíba existe um movimento permanente para trocar o nome da capital João Pessoa por outro, que para alguns seria o antigo nome de Parahyba, inclusive grafado assim. (Se a Bahia pode manter seu “h”, por que não podemos recuperar nosso “hy”, que inclusive remete ao mito atlântico de Hy-Brasil?). Drummond ironizou, em seu livro Brejo das Almas, os que queriam mudar o nome dessa cidade, alegando que nada significava (conseguiram: o lugar chama-se hoje Francisco Sá). Muitas dessas mudanças se pretendem modernizadoras (trocar um nome cafona por uma denominação ligada ao “mundo de hoje”) ou restauradoras (trazer de volta um nome tradicional).