quarta-feira, 17 de abril de 2013

3162) Livros clandestinos (17.4.2013)




Meu nome é Sonntag, e sou bombeiro. Meu pai o foi também, e queimou muitos livros. Quando começou a salvá-los às escondidas, foi descoberto e morto pelas forças de segurança. Cresci ouvindo este exemplo ameaçador. Tornei-me bombeiro para conhecer essas obras proibidas, mesmo correndo o risco de ser executado. Enganava-me. Hoje em dia o Sistema balança, racha-se em fendas; a corrupção impera. Encontram-se livros à venda nos mercados negros de armas, de próteses, de venenos. Minhas leituras fervorosas e às escondidas são alimentadas por essa rede escusa de delinquentes, que fervilha nas favelas, nas ruínas ocupadas, nos casebres de beira-rio. Não se consegue saber de onde extraem esses tesouros.

Há boatos sobre bibliotecas soterradas, mas a