quinta-feira, 1 de novembro de 2012

3019) Nos acréscimos (1.11.2012)




O conceito de “instante precioso” varia de pessoa para pessoa. Eu guardo o sorriso de minha mulher acordando, o choro do meu filho nascendo, uma noite de festa com fogos coloridos no céu e flocos de neve caindo, o bis da melhor canção do melhor show da melhor banda de rock do mundo... Não posso criticar o que outras pessoas escolhem para gravar para sempre no cérebro com um tiro de nanomáquinas. 

Os vizinhos bateram à minha porta na hora de começar a final da Copa no Maracanã, “sai daí, bicho do mato, eremita nerd, é hoje o dia da alegria, Braziu-ziu-ziu!”. Não deixam transparecer, mas devem ter pena de um viúvo tão jovem, que não se queixa do Destino nem do país, que vive em casa sozinho conversando com livros e plantas. Subi para a cobertura, cheia de gente que ria e gritava, a varanda embandeirada, de lá víamos os edifícios da Lagoa explodindo em foguetões e confetes verde-amarelos, o sol afogueava tud