quinta-feira, 30 de agosto de 2012

2963) Ser frila (30.8.2012)



(Stefan Karpiniec)


Ser frila é ser livre, leve e solto como um náufrago à sombra do coqueiro solitário de uma ilha deserta de cartum. Ser frila é estar sem trabalho e sem dinheiro e passar o dia vendo TV ao lado do telefone, porque é por lá que geralmente vêm as boas notícias, mas com o computador aberto na caixa de emails, que também proporciona aleluias.

“Free-lancer” é (para os despeitados) um simples eufemismo para “desemprego reiterativo”. Ser frila é viver ligando para colegas, não-colegas, ex-colegas, semi-desafetos,  ex-namoradas, quase-namoradas e completos desconhecidos com a pergunta “E aí, tá rolando algum lance, algum trabalho novo?... Qualquer coisa me dá um toque!”. Ser frila é pisar no abstrato, nadar no sólido, respirar no vácuo, acreditar no improvável e se alimentar do possível. Ser frila é ter uma vid