quarta-feira, 4 de julho de 2012

2913) Ser célebre (4.7.2012)






Um número imenso de páginas (cartas, diários, relatos de viagens, etc.), escritas nos séculos 18 e 19 antes da invenção da fotografia, é dedicado a encontros que o autor teve com personalidades ilustres do seu tempo: estadistas, artistas, aristocratas, etc.  Daria uma antologia que poderia furtar o título do livro de Peter Brook, Encontros com Homens Notáveis.  Stendhal conta um episódio divertido de sua estadia em Terracina (Itália) em 1817, quando, conversando com um grupo de italianos, entabulou um diálogo sobre música com um homem jovem, de cabelos claros, bem apessoado; Stendhal teceu os maiores elogios às óperas de Rossini, dizendo ser o único compositor de gênio daquela época, e pelas risadas dos outros acabou descobrindo que o jovem sentado à sua frente era o próprio Rossini.

Era uma época em que o nome de um indivíduo podia ser famoso e respeitado em toda a Europa sem que se tivesse uma idéia muito clara de como era seu rosto. A fotografia não tinha sido inventada. Nobres e reis eram conhecidos através de pinturas, desenhos e gravuras, que, como se sabe, nem sempre são unânimes em sua reconstrução de fisionomias, além de correrem o risco de ficarem rapidamente defasadas porque o indivíduo envelheceu, engordou, etc. Quantas pessoas, na Paris de Maria Antonieta, tinham visto de perto o rosto de Maria Antonieta?  Há um interessante filme s