sexta-feira, 1 de junho de 2012

2885) A cela solitária (1.6.2012)



(foto: James Nizam)


Minha cela mede menos de dez metros quadrados. É tão pequena que a conheço de cor; é tão grande que a cada dia que passa conheço-a um pouco mais.  

Dentro dela existe apenas o bloco retangular de cimento em que durmo, um bloco maciço, sem espaços ocos onde eu possa guardar... o que?  Veneno?  Um rádio transmissor?  Uma metralhadora? Uma caneta, um caderno?  O que imaginam eles que um homem trancafiado pelo resto da vida é capaz de guardar, se lhe derem um lugar onde fazê-lo?

O colchonete de espuma é trocado quase diariamente (quase: não são tão organizados quanto imaginam ser), não para meu conforto, mas para evitar que eu... que eu o quê? Arranque pedaços dele, coma-os para me suicidar por engasgamento?  Que eu escreva nele uma mensagem com tinta invisível?