sábado, 26 de maio de 2012

2880) O clichê (26.5.2012)





A palavra “clichê” virou um termo pejorativo. Dizerm: “Isso não passa de um clichê”, equivale a dizer: “Isto é algo inferior, algo errado, algo que não se deve fazer”.  Uma fama imerecida, em grande parte.  Todo mundo precisa de clichês, e estou pensando em oferecer um milhão de dólares a quem apontar qualquer artigo meu, nesta coluna, sem um clichê sequer. Clichê, antigamente, significava aquelas placas de zinco que, recobertas de tinta, reproduziam as fotos nos jornais.  Meu primeiro emprego aos 15 anos, no “Diário da Borborema”, consistia justamente em ser “arquivista de clichês”. Quando a página era desmontada na oficina, eu limpava e guardava de volta, num armário, as placas-fotos usadas em cada edição, para serem usadas de novo no futuro.  O clichê é isso: uma coisa já pronta, que não muda nunca, e que é repetidamente usada quando se quer mostrar de novo uma coisa.

Todo Papai Noel tem que dizer “rou, rou, rou”?  Todo mineiro come pão de queijo?  Todo gaúcho fala “tri-legal” o tempo todo, e todo nordestino fala “oxente”?  Não, mas para qu