sexta-feira, 20 de abril de 2012

2849) Rehab (20.4.2012)

O café da manhã seria o melhor momento do dia, se não fosse pelo café da manhã. Piada recorrente aqui na clínica. Gostamos do ambiente claro, acolhedor; gostamos de ver, na TV do refeitório, as reprises de I Love Lucy ou A Ilha da Fantasia. (Todas as TVs são ligadas num mesmo canal, para estimular a socialização e a troca de idéias). Gostamos do zum-zum-zum, do tilintar de pratos e talheres. Só não gostamos da comida. Não tem sabor nenhum, o que ressalta a textura repugnante de algumas delas. O Duque de Hagen comentou ontem comigo: “Mastigamos estas coisas insípidas e sem cheiro em busca de sofrimento. Só alimentam a ilusão de que nos fazem bem”.

Piscina com água pela cintura, olhares vigilantes dos salvavidas. Baralho ou gamão no Espaço Convivencial. Mme. Tepes, como sempre, passeia no jardim sem guarda-sol, rosto erguido; perdida em alguma viagem épica, triunfante. Eu caminho ao seu lado, ouço histórias suas de épocas passadas, mas todas pasteurizadas, irrepreensíveis. Com a idade que tem, não cansa de dizer que vive em função do futuro.

Hoje não recebi diálise, só as injeções e o rebatismo. Depois, caminhei em volta da clínica, que tem para isso uma pista larga, arborizada. Caminhar me faz bem, e é apenas nestes momentos que sinto algo próximo ao arre