quinta-feira, 19 de abril de 2012

2848) Millôr Fernandes (19.4.2012)



Não conheci Millôr pessoalmente. No lançamento de um livro, há quase 20 anos, num salão repleto de gente, vi-o a cinco passos de distância, conversando com alguém. Poderia ter ido até lá e dito a bobagem de sempre, “sou seu fã desde pequenininho”, a que ele responderia com bom humor e atenção, como me parece que era seu jeito. Paciência. Um autor tem vida própria, tem sua família, seus amigos. E tem seus leitores, que são uma espécie de amigos virtuais: nunca conviverão com ele, nunca tomarão um cafezinho na esquina ou um chope na calçada, nunca compartilharão confidências pessoais, nunca telefonarão um para o outro quando estiverem precisando trocar idéias ou reclamar da vida. Paciência; a vida é assim, não adianta reclamar.

Cresci numa época em que a revista O Cruzeiro era uma espécie de Fantástico, o Show da Vida impresso, que levávamos uma semana saboreando. Eu lia as reportagens sobre futebol, crimes e discos voadores; e lia as seções de humor, o Pif-Paf de Millôr, o Amigo da Onça de Péricles, a página de Carlos Estêvão, os cartuns de Appe ou Borjalo. Millôr saiu da revista brigado, por causa da sátira “A Verdadeira História do Paraíso”, que desagradou a Igr