domingo, 18 de março de 2012

2821) O inferno do plágio (18.3.2012)




Acusado de ter cortado e colado centenas de trechos de dezenas de autores para compor seu romance policial de estréia, Assassin of Secrets (sob o pseudônimo de Q. R. Markham), Quentin Rowan está sendo o plagiador mais em evidência na imprensa mundial. O plágio é uma coisa engraçada. De um modo geral é considerado (pelo menos nos ambientes que eu frequento) um crime vergonhoso, comparável moralmente à delação. E no entanto a maioria das pessoas já plagiou ou já foi plagiada em alguma medida, mesmo nas atividades mais discretas e nos contextos mais obscuros.

Rowan fez uma colcha-de-retalhos com parágrafos alheios, na ingênua esperança de que ninguém achasse familiar alguma dessas frases e fosse checar no livro original. (O que aconteceu, claro.) Faltou-lhe senso prático; fez o que fez numa espécie de delírio manso. Faltou-lhe inclusive um pouco de sofisticação intelectual, porque eu no lugar dele diria que estava fazendo “metaficção”, “mash-up narrativo”, “colagem pós-moderna”, qualquer coisa que me possibilitasse pelo menos bloquear a acusação de plágio e manter o livro nos balcões das lojas. Não seria o primeiro.

Jonathan Lethem, que publicou um artigo sobre plágio consistindo quase inteiramente de frases alheias (com créditos revelados no final), disse sobre Rowan: “Parece que ele fez algo muito mais trabalhoso do que simplesmente sentar e escrever um livro. Compor um texto a partir de outros não é um passatempo de preguiçoso. Falo como quem já fez isto: é uma imensa quantidade de trabalho”. Um dos autores c