terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

2792) Cinema de autor (14.2.2012)



(Terry Gilliam)

Num texto publicado por Filmmaker, the Magazine of Independent Film, um dos meus diretores preferidos, Terry Gilliam, dá seus conselhos (um tanto heterodoxos, felizmente) sobre a arte de fazer cinema. Comentarei alguns, principalmente aqueles de que discordo. (Conselho óbvio entra por um ouvido e sai pelo outro, não é mesmo? “Tenha boas idéias... Transmita segurança diante da equipe... Não estoure o orçamento...”). Gilliam é um dos autores que me levam ao cinema só para curtir a desbragada e irreprimível criatividade visual dos filmes que faz. Tudo nele é exagerado, barroco, delirante, cheio de coisas que dá vontade de ficar o tempo inteiro voltando a imagem e esquecendo a história só para curtir aquele quarteirão de casas impossíveis, ou aquele figurino cheio de deliciosos anacronismos, ou aquele monstro feito de papelão e pixels. Quantos diretores há, no cinema comercial de hoje, com a mesma verve visual e a mesma sem-cerimônia? Tim Burton, Jean-Pierre Jeunet e mais alguns poucos.

Diz Gilliam: “Cinema de autor já era, o que vale agora é cinema de filtro. Ser um autor de filmes é o que a gente sonhava nos anos 50 e 60, quando a idéia do cineasta autor chegou neste planeta. E as pessoas continuaram usando esse termo, e o usam com meus filmes porque acham que eles são