sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

2783) Nara Leão (3.2.2012)




Neste mês de janeiro completaram-se 70 anos do nascimento de Nara Leão, e, como sempre acontece com quem morre jovem, ficamos tentados a imaginar como seria ela com essa idade. O rosto, o cabelo, a voz, o repertório...

O sorriso talvez continuasse igual. Aquele sorriso tímido que ela mostrava, meio encabulada, desviando o olhar para pensar melhor; mas deixava o sorriso segurando o interlocutor até que o olhar viesse de volta.

Nara foi essa fórmula terrível que a imprensa criou, “porta-voz de uma geração”. As pessoas assim chamadas geralmente se sentem desconfortáveis com um título tão pomposo, porque na verdade não estão preocupadas em falar por geração nenhuma. Falam por si, por um grupo de amigos, por algumas outras pessoas que acham importantes.

Sabem que nenhuma geração é homogênea ou unânime, até porque uma coisa que os “porta-vozes de geração” têm em comum é serem ferozmente combatidos e incompreendidos, também, por gente de sua idade.

O saite criado em sua homenagem (www.naraleao.com.br) traz um material variado, com links para todos os seus discos. Não dá para baixar as músicas, mas dá para escutá-las em “streaming” enquanto o saite fica aberto na tela. E aqui estou eu passeando pelos anos em que Nara era aquela musa carioca, inatingível – e ao mesmo tempo tão próxima.

Se os anos 1960 tiveram uma única coisa boa talvez tenha sido a redenção das mulheres não-deusas, não-pinups, não-gostosonas. Meninas miúdas, de cabelinho chanel, dentes um pou