terça-feira, 31 de janeiro de 2012

2780) Traduzir o sertão (31.1.2012)




(Guimarães Rosa, por Baptistão)

A estética literária de Guimarães Rosa é baseada no desprezo à primeira idéia (à maneira mais simples e imediata de dizer algo) e à procura de uma maneira inesperada, mais rica, mais inquietante. Numa entrevista a Gunther Lorenz (1965), ele afirmou: “Como escritor, devo me prestar contas de cada palavra e considerar cada palavra o tempo necessário até ela ser novamente vida. O idioma é a única porta para o infinito, mas infelizmente está oculto sob montanhas de cinzas”.

Ao que se diz, as melhores traduções de Rosa são as de Curt Meyer-Clason para o alemão e as de Edoardo Bizarri para o italiano. Agora, uma nova versão alemã do Grande Sertão está sendo feita por Berthold Zilly, que já traduziu obras de Raduan Nassar, Euclides da Cunha, Machado de Assis, etc. (ver entrevista a José Geraldo Couto: http://bit.ly/xgKl1S). Zilly mostra, num exemplo, as questões interligadas de ser fiel ao conteúdo e à forma do original:

“Por exemplo, os contrastes entre, por um lado, os períodos longuíssimos, repletos de orações subordinadas e apostos, e por outro os períodos compostos por uma única palavra. Logo na primeira página do livro, há a