domingo, 1 de janeiro de 2012

2755) Começos de livros (1.1.2012)




O que faz um bom começo de um livro?

 Um começo tem que ter algo de sólido e bem construído, que faça o leitor sentir firmeza.

Tem que revelar de imediato alguma coisa sobre a história que vai ser contada; e tem que colocar uma interrogação, um mistério, que faça o leitor querer descobrir a resposta.

Tem que parecer uma informação completa em si mesma; e tem que estar ligado ao resto do livro de tal forma que a gente só entenda por completo aquele parágrafo quando tiver lido o livro inteiro.

O romance A Child Across the Sky de Jonathan Carroll (1989) começa assim:

Uma hora antes de se suicidar com um tiro, meu melhor amigo, Philip Strayhorn, me telefonou para falar sobre polegares. 
– Já notou que quando a gente lava as mãos a gente na verdade não lava os polegares?

Tragédia e banalidade surgem juntas nesse trecho, juntamente com a primeira insinuação de um mistério. O telefonema (que se estende por umas duas páginas) já está contaminado por essa notícia do suicídio, que o personagem-narrador sabe que aconteceu, mas o personagem-ator da cena não pode saber, pois o suicídio só acontecerá depois. E o livro inteiro consiste no desvendar dos mistérios (um tanto tenebrosos) da vida de Strayhorn, um diretor de filmes B de terror.

Gertrude Stein começa