terça-feira, 29 de novembro de 2011

2726) A palavra vôte (29.11.2011)




“Vôte!” é uma dessas exclamações tipicamente nordestinas que de vez em quando os visitantes nos pedem para explicar e não temos a menor idéia sobre o lugar de onde veio ou sobre o que significa ao pé da letra. Usamos, e acabou-se.

Tecnicamente, é uma interjeição que exprime assombro, repulsa, susto, perplexidade. "Vôte! Que diabo é isso? Parece um homem vestido de mulher!" Equivale mais ou menos ao "Eu, hein!" muito popular no Rio, e ao "T'esconjuro!" muito usado nas regiões rurais...

Como um dos meus passatempos favoritos é imaginar etimologias possíveis para as palavras, penso às vezes que a origem de “vôte!” deve ser alguma expressão do tipo "Vou te esconjurar..." ou semelhante.

Já cheguei a imaginar que o termo informal “wot” em inglês seria um equivalente ao nosso “vôte”, por ser usado em contextos semelhantes, como exclamação de surpresa. Mas sua pronúncia, no entanto, é “uót” (mais ou menos a mesma da sua forma gramatical, “what”). Não tem como fazer a pronúncia “uót” virar “vôte”; é mera coincidência, certamente.

É palavrório típico do povão, daí os versos de advertência e censura de Laurindo Pereira de Sousa, o poeta popular conhecido como Bernardo Cintura:

É um bom vício amolar
para o sujeito que amola,
é feio pedir esmola
se se pode trabalhar.
É mau vício não pagar,
dizer dito: vôte, oxente,
isso é lá vício de gente,
isso é vício de vadio;
pra quem tem calor ou frio,
de vício só aguardente.
(citado por Cr