quarta-feira, 2 de novembro de 2011

2703) A brabeza sertaneja (2.11.2011)



Li essa história há muitos anos, na extinta revista Tempo Brasileiro, e gostaria de descobrir o título e o autor. São dois irmãos sertanejos que brigam por algum motivo e ficam intrigados pro resto da vida. Envelhecem, moram perto um do outro, mas não se falam, sequer se olham. Um deles se mete numa complicação grossa e vem um grupo de jagunços (ou de soldados) para matá-lo. Quando começa o tiroteio, o irmão vê aquilo de longe, pega as armas, corre para a casa do outro. Durante horas trocam tiros, lado a lado, jogam munição um pro outro, salvam-se mutuamente mais de uma vez, e por fim matam alguns dos inimigos e afugentam os outros. Quando tudo sossega, o irmão que tinha vindo ajudar o outro recolhe sua arma e volta para casa, e o conto termina dizendo: “E nunca mais se falaram”.

Isto revela um pouco da ética dos sertanejos brabos. Claro que o conto contém muitas coisas mais, mas o recado mais óbvio é de que a lealdade sertaneja se amplia em círculos concêntricos. Vi uma vez, acho que na Guerra Irã-Iraque, um beduíno tentando explicar a um jornalista brasileiro o complicado sistema de lealdades e inimizades tribais do Oriente: “Eu brigo com meu irmão. Mas eu e meu irmão nos juntamos, se for preciso brigar com nosso primo. E eu, meu irmão e nosso primo nos juntamos, se for para brigar com alguém da tribo vizinha. E nós três e a tribo vizinha nos juntamos para brigar contra um estrangeiro. E assim por diante”.

A ética dos brabos é um capítulo interessante na Ética geral, porque um brabo é por definição um sujeito que não tem me