terça-feira, 16 de agosto de 2011

2636) Baseado em (16.8.2011)




Este artigo, vou logo avisando, se refere à adaptação de romances para o cinema, TV, teatro, e outras formas de encenação. A expressão “baseado em” costuma ser mal compreendida por muita gente. Ao pé da letra, o livro original seria apenas uma base, um fundamento para a criação de uma obra diferente. Na prática, porém, esta expressão, que me parece correta, acaba se confundindo com outra maneira de dizer, esta sim muito perigosa. É quando falamos: “O livro tal vai ser filmado”. Dizer isto sugere, implicitamente, que o livro vai ser filmado tal qual é, que todos os detalhes que existem no livro vão ser transpostos para o filme, tintim por tintim, e naquela mesma ordem. E não é o caso.

Dizem que no começo do século 20 os diretores distribuíam dezenas de exemplares de um romance entre os atores e os técnicos, e no primeiro dia de filmagem começavam a filmar o que acontecia no Capítulo 1. Logo logo esse sistema de trabalho mostrou que não funcionava. Uma história que se passava em diferentes cenários forçava a equipe a se deslocar todo dia de um lugar para o outro; um cenário que só aparecia no começo e no fim da história tinha que receber manutenção durante semanas ou meses. Logo as pessoas concordaram que era mais simples filmar num cenário tudo que acontecia ali, depois passar para outro, e no final recortar todas essas cenas e colocá-las na ordem certa. Isso é o beabá da produção de cinema.

Um dos raros filmes contemporâneos feito à maneira antiga foi, pelo que me contaram, Lavoura Arcaica de Luiz Fernando Carvalho, cuja equipe se enfurnou durante meses numa fazenda, todo mundo com um exemplar do livro, e todos os dias atores e