quinta-feira, 14 de julho de 2011

2608) Perguntas ao futuro (14.7.2011)



O ser humano é provinciano por natureza. Sua província natal é a humanidade, é o oceano de idéias, emoções, sentimentos e valores que, bem ou mal, criam o ambiente mental em que ele consegue se sentir à vontade. Somos humanos, e tudo que é humano não apenas não nos é estranho, como é a única coisa que somos capazes de compreender sem que alguém precise bater em nossa cabeça com um rolo de amassar pastel. O que nos distingue uns dos outros é apenas o maior ou menor perímetro com que definimos esta humanidade, daí o fato de chamarmos de “provincianos” os moradores de cidade pequena que não conseguem entender os costumes da cidade grande, embora não digamos o mesmo dos habitantes de cidade grande que não entendem os costumes de cidade pequena. Por que? Porque esses conceitos são criados na cidade grande, para benefício e louvação dos seus.

Sempre me interessei por histórias de viagem no tempo, em que um sujeito de nossa época, mediante um prodígio qualquer, vai parar no futuro. Em narrativas assim, metade da minha curiosidade vai para esse mundo futuro imaginado, e metade vai para o protagonista: quem é ele, o que pensa, como vai se comportar, como vai reagir. É sintomático que, no momento em que o sujeito percebe que chegou ao futuro faça perguntas como “quem é o atual Presidente da República”, partindo do princípio, é claro, de