domingo, 29 de maio de 2011

2569) O que é preconceito (29.5.2011)



Preconceito é uma idéia tão confortável que resistimos em nos separar dela. De nada adiantam os argumentos mais razoáveis ou as provas contrárias mais esmagadoras. Tapamos os ouvidos, fechamos os olhos, fazemos “Dã-dã-dã-dã-dã-dã-dã... Não estou ouvindooo... Não estou ouvindoooo...” Não somos capazes de viver sem aquela idéia, assim como uma criança não é capaz de viver sem sua chupeta, um fumante sem o seu cigarro, ou o ébrio sem a sua “garrafa tóxica de rum”, como dizia Augusto dos Anjos. Um preconceito é um pesadelo que assaltou nossa mente de tal maneira que acabamos nos orgulhando dele. Ele faz parte de nós. Ficamos como a alma penada daquela história, vagando pelos corredores com um machado enfiado no crânio. Se alguém retirasse o machado libertaria aquela alma para sempre, e ela sabe disso, mas prefere aterrorizar os outros do que permitir que alguém toque naquele machado, que agora, confortavelmente, faz parte dela.

Essa imagem do machado enterrado no crânio me vem com frequência porque a sensação que tenho é de que os meus preconceitos (que são muitos) não foram escolhidos voluntariamente por mim, mas me foram impostos de fora para dentro ou de cima para baixo, com tal violência que não fui capaz de me defender. Um preconceito é um implante mental. Recebemos aquilo antes de termos capacidade de entender o que sign