quarta-feira, 2 de março de 2011

2493) Kadhafi (2.3.2011)



No dia em que escrevo, a insurreição popular na Líbia está comendo pelas beiras a ditadura de Muhammar Kadhafi. A situação me lembra a dos protagonistas do conto “Casa Tomada” de Cortázar, em que a mansão de um casal de irmãos vai sendo invadida por desconhecidos. Cada vez que um aposento é tomado, eles o trancam por fora e não chegam mais perto. O espaço em que vivem vai se tornando cada vez menor. Quando é tomado o último recinto, eles saem, trancam a casa por fora e jogam a chave no esgoto da rua. Kadhafi fará o mesmo? Morrerá heroicamente, como ameaçou, de cimitarra em punho, enfrentando os invasores? Ou fugirá num jatinho particular, na calada da noite, com os costumeiros bilhões de dólares, rumo ao aconchego dos spas capitalistas?

Hosni Mubarak, o ditador egípcio recém-defenestrado, era um ditador de outra natureza. Militar