terça-feira, 1 de março de 2011

2492) Almira Castilho e Moacyr Scliar (1.3.2011)



No mesmo dia, vejo na imprensa a notícia do falecimento de Almira Castilho (86 anos) e Moacyr Scliar (73 anos). É ruim começar o dia com duas perdas como estas. Talvez metade do Brasil não saiba de quem se trata, não seja capaz de reconhecer seus nomes ou suas fotos, mas o Brasil deve muito a ambos.

Almira conheceu o auge da fama nos anos 1950, quando foi casada com Jackson do Pandeiro, dividindo com ele uma carreira cheia de sucessos Brasil afora. Os dois faziam uma dupla engraçadíssima no palco, ele pequenino e arisco, ela grandona e aparentemente desajeitada (na verdade dançava bem). Os dois encenavam umbigadas e arrasta-pés, e Almira arregalava os olhos, balançava os quadris, fazia munganga... Era boa cantora, e ao que consta também compunha, pois aparece como co-autora de clássicos como “Chiclete com Banana” e outros. Vi-a, já com seus 80 anos, subindo ao palco com Silvério Pessoa no Fórum Junino de Aracaju, cantando, rebolando; e depois em mesa de restaurante contando histórias e dando risadas. Uma pessoa em paz com a vida, e que podia dizer, como disse em suas memórias o “bluesman” Honeyboy Edwards: “O mundo não me deve nada”.

Moacyr Scliar percorreu uma carreira mais discreta e mais estável, como é de praxe na literatura. Foi um dos escritores que se tornaram conhecidos na década de 1970, e nessa condição foi uma das referências literárias da minha geração, dos jovens de 20-e-poucos anos que estavam começando a escrever. E recomeçando a ler. (Quando você começa a escrever a sério, precisa aprender a ler de uma maneira diferente.) O