domingo, 16 de janeiro de 2011

2455) Videoclip (16.1.2011)



Começa na escuridão total, um riff hipnótico de guitarra, palheta rascando nos bordões, enquanto a câmara recua e revela estar no interior de um labirinto de encanamentos enferrujados, gigantescos – a escala é dada por um operário com macacão de sarja azul e máscara de ferro, soldando uma juntura e produzindo uma girândola de faíscas prateadas, pelo meio da qual a câmara passa à medida que emerge o pulsar profundo da bateria e o solo lancinante de guitarra distorcida. Começa um lento travelling vertical ao longo da parede descascada em tons de ocre e azul-de-metileno, com pichações (pichações, nas paredes de um duto subterrâneo!), corações partidos, rabiscos pornô, raios em ziguezague, caveiras de vampiro, frases soltas, “concha de tu madre”, “abajo los de arriba”, a câmara continua subindo e vemos a descida vertical de uma bola de ferro atada à ponta de uma corda, quando entra o vocal rasgando os primeiros versos, “Embaixo do mundo tem um mundo de medo, tem um monstro, um segredo, tem uma montanha maior do que o mar...”

A parede é explodida e por trás dela vê-se uma parede que parece de chapas de aço luzidio cheias de rebites, que também é explodida enquanto a câmara avança para a frente, e depois vem uma parede de rocha basáltica negra e luzidia, que também explode, e depois desta há uma enorme folha de papel pautado, uma carta, escrita com tinta azul desmaiada, caligrafia cursiva com letras em cirílico, e essa carta gigantesca também explode e revela atrás de si (enquanto o verso é repetido, e guitarras dobradas em terça agora se superpõem à voz) uma epiderme de poros gigantescos, pele viva e colorida que arfa e se agita, e agora embor