sábado, 1 de maio de 2010

1982) Moiré, o infotografável (16.7.2009)



(Moiré, à esquerda)

Existem pessoas não-fotografáveis, pessoas cuja imagem, por alguma razão, é impossível captar através das câmaras? Um artigo de Lytle Shaw, publicado no Cabinet Magazine (http://www.cabinetmagazine.org/issues/7/ernstmoire.php) diz que era justamente isto que acontecia com o fotógrafo suíço Ernst Moiré (1857-1929). As fotos de Moiré que sobrevivem (e que Shaw reproduz em seu artigo) mostram imagens distorcidas. Uma interferência visual impede que seus traços sejam corretamente captados pelas lentes ou reproduzidos depois no papel fotográfico. Segundo ele, Moiré deu seu nome ao efeito muito conhecido nas artes visuais, em que duas séries justapostas de linhas paralelas produzem um efeito de ondas ou de curvas distorcendo as linhas que as compõem.

Ou teria sido o contrário? O efeito já existia, e Shaw, numa jogada borgiana que hoje já virou lugar comum (eu mesmo a emprego a três por dois) inventou um autor fictício para justificar o nome? Diz ele que Moiré existiu, sim, e que, segundo o governo suíço, um fotógrafo chamado Moiré era considerado, na Suíça dos anos 1920, como impérvio à fotografia, e que esses seus desaparecimentos bizarros tornaram-se uma fonte de orgulho nacionalista. Moiré era louvado, por ser um Ludita anti-tecnológico, pelos membros anti-modernistas da cultura popular suíça, por essa sua “neutralidade v