terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

1697) Machado: “20 anos! 20 anos!” (20.8.2008)



Este conto não é estruturalmente um conto, e sim um desses tecidos literários que Machado, sentando-se sem idéia e criando ao correr da pena, produzia de maneira tão espontânea. Uma “tranche de vie” flutuando nas fronteiras entre o conto e a crônica. O texto saiu em A Estação, em 15-7-1884, tem não mais do que três páginas, e acompanha o jovem Gonçalves, estudante e boêmio cuja família reside no interior. A mesada paterna lhe chega às mãos através de um correspondente do pai, residente na Corte (ou seja, na cidade do Rio), e tão logo chega, desaparece na caixa registradora dos bares e cafés. O conto se abre com Gonçalves amarrotando, ultrajado, a carta em que o correspondente se nega a ressarci-lo de uma despesa urgente (um sobretudo de peles, uma bengala), e mais, avisa que vai discutir o assunto com seu pai.

Gonçalves sai à rua disposto a esbordoar o atrevido, mas logo adiante é puxado para dentro de um café por um grupo de amigos.