segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

1570) Fulorestas urbanas (25.3.2008)



Alguém, ouvindo um grupo como Siba e A Fuloresta, perguntou com certo desdém: “Mas o que tem de novo, o que tem de revolucionário nisso?” Esta é uma pergunta típica de um conceito de arte em o que vale é a revolução, a mudança brusca de tudo que até então existia. O conceito de que as coisas novas de hoje, que destruíram as coisas novas de ontem, devem por seu turno ser destruídas pelas coisas novas de amanhã. É o conceito da moda e do mundo “fashion”, o conceito da indústria cultural: a substituição constante de produtos por outros produtos, de marcas por outras marcas, de fórmulas por outras fórmulas. É – numa frase de Caetano Veloso num dos seus shows – o mundo em que o “novo” é perpetuamente substituído pelo “mais novo”.

Isto cria uma cultura fragmentada, em que tudo tem a existência rentável do sucesso momentâneo mas não se fixa na memória de ninguém. Espera-se uma revolução por minuto, porque segundo esse conceito o critério principal da arte é quebrar a continuidade com o que vinha antes. O que Siba e a Fuloresta fazem é justamente o contrário disso, daí a sua importância. Promovem a continuidade entre o Passado e o Presente; e promovem a proximidade entre pessoas de classes diferentes.

Alguns críticos se espantam que um músico de classe média urbana vá