terça-feira, 19 de janeiro de 2010

1543) O caçador de pipas (22.2.2008)



Esse tal de Mercado é uma coisa engraçada. Para os que mandam na cultura, ele é hoje o Júpiter Tonante, o Todo Poderoso. Os índices de Ibope, de bilheteria ou de vendagem são o crivo-de-Eratóstenes que elimina todo o redundante e chancela apenas o essencial, o que vale pra valer, o que são favas contadas. Vender é o que importa. Para eles, cultura que não pode ser vendida é inútil para o artista, e cultura que não precisa ser comprada não vale nada para o consumidor.

Sinal dos tempos, sinal do Fim dos Tempos, mas em vez de me cobrir de saco e cinza prefiro sentar no batente da janela, apontar a luneta e secretariar as peripécias. Por exemplo: sou um fã do filme Blade Runner, de Ridley Scott, que considero um dos 10 (ou um dos 100, ou um dos 435) clássicos da FC. Vi várias vezes, revi em VHS, depois em DVD. Em 1992 saiu a versão do autor (“Director’s Cut”) em que Scott cortou uma porção de coisas impostas na época