terça-feira, 12 de janeiro de 2010

1512) A Infinita Ramificação (17.1.2008)


Um dos meus sonhos recorrentes na infância era o de descer a uma caverna subterrânea e descobrir lá embaixo um salão circular que se abria para infinitas galerias. Cada uma delas desembocava, mais cedo ou mais tarde, num salão mais largo, semelhante na anterior, em cujas paredes eu via aberturas para novas galerias e corredores, “ad infinitum”. O sonho não era um pesadelo, mas me dava, após a excitação inicial de estar descobrindo um mundo desconhecido e misterioso, a angústia de saber que nunca poderia percorrer todos aqueles caminhos.

Meu pai tinha a coleção encadernada, em oito volumes, do Rocambole de Ponson du Terrail (a mesma que hoje, só que em brochura, tenho em minha estante), As folhas de guarda da encadernação eram num papel de cor marrom escura com miríades de pequenas manchas brancas. Eu ficava sentado, com o livro (que naquela época era enorme) no colo. Imaginava estar num desses