quarta-feira, 17 de junho de 2009

1093) Dylan no número 1 (16.9.2006)



A música de Bob Dylan é aquilo que em inglês se chama de “acquired taste”, um gosto adquirido, algo de que a gente não nasce gostando, mas precisa aproximar-se aos poucos, experimentar, ir-se afeiçoando, ir descobrindo. No começo de sua carreira nos anos 1960 Dylan foi a “voz de uma geração” (perdão pelo clichê). Os jovens o compreendiam intuitivamente, sabiam por instinto o significado de seus versos surrealistas, de sua voz nasal e desafiadora, do som mercurial das guitarras e teclados que atapetavam seus quilométricos poemas. Os tempos mudaram. Os jovens de hoje acham que a vida é uma propaganda de refrigerante; não se sentem pressionados a questionar o mundo, a reinterpretá-lo, a interferir nele. Dylan é um deleite de minorias.

Os tempos estão mudando? A imprensa noticia que o novo disco de Dylan, Modern Times chegou ao primeiro lugar nas vendagens dos EUA, fato que não acontecia desde 1976. Naquele ano, ele lançou Desire, disco impulsionado pelo sucesso da faixa “Hurricane”, composta em defesa de um boxeador negro acusado injustamente de homicídio. Com a marca o