sábado, 21 de março de 2009

0901) Weltanschauung (4.2.2006)


(ilustração: Peter Cicariello)

Não, coleguinhas, não foi uma gralha tipográfica nem um vírus internético que interferiu no título. Esse troço aí em cima é uma palavra. Para ser mais preciso, uma palavra alemã que está na raiz da Filosofia mundial. Chamem-me de paleozóico, mas quando eu tinha vinte anos não líamos um suplemento literário ou uma crítica de cinema sem que esta encartolada palavra surgisse à porta do texto, bengala em punho, imponente como uma estátua de bronze. “Weltanschauung” era livremente traduzida por “visão do mundo”. Era algo que todo cineasta tinha que ter, todo poeta tinha que ter, e mesmo nós, imberbes cineclubistas e leitores, nos sentíamos obrigados a ter – e nos desesperávamos por temer que não tivéssemos. Vai ver que era por isso (pensava eu, coçando a cabeleira revolta que me valia ser chamado de “Cabeludo do Amazonas!” quando passava na Rodoviária) que as garotas não queriam saber da gente, e só saíam com aqueles caras ao volante dos Karman Ghias. Não dava mesmo