sábado, 11 de outubro de 2008

0595) O charme de um dia nublado (13.2.2005)


(Bradley Schmehl, "Voice of the City")

Nada tenho contra o sol, contra esta cascata dourada de raios de fogo que parecem tornar o mundo inteiro mais colorido, mais vivo, mais vibrante de uma energia alegre e boa. Mas pergunto: por que motivo os Adoradores do Sol, essa multidão monoteísta que se acotovela nas praias e nas piscinas, é incapaz de reconhecer a beleza e a poesia de um dia nublado? O sol recorta contrastes lancinantes, fende o mundo com suas lâminas, e o deixa fatiado em placas de luz e de sombra. No dia nublado, a redoma de nuvens filtra e esbate esse brilho excessivo. O mundo fica tomado por uma luminosidade leitosa, espessa, macia. É uma luz que parece vir de todas as direções, que não projeta sombras, uma luz democrática e onipresente, a única capaz de mostrar o mundo como ele realmente é.

Nada tenho contra o Sol, repito. Admiro-o como admiro um leão, um tigre: ele lá e eu cá. Reconheço sua beleza e sua importância, mas francamente, não preciso da companhia dele o tempo todo. Tá liberado, companheiro! Vá aque